Sotextinho
Textos
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
terça-feira, 4 de outubro de 2022
O FILHO INCOMODA
Ouvi hoje de uma amiga que não poderia fazer tal coisa pois o filho incomodaria.
Foi dito entre os muitos deveres assumidos pelas mulheres atualmente, trabalho, carreira, vida pessoal, criação e educação dos filhos.
Advirto desde já o texto poderia ser sobre feminismo e, provavelmente este tema será abordado em outra publicação, mas hoje é sobre existência
A frase não representava a realidade do que era a intenção de quem disse, sua tradução mais aproximada seria, vou fazer o trabalho de casa, pois aqui consigo dar a atenção que ele precisa e ainda trabalhar.
A sociedade atual exige das pessoas atividades múltiplas em todas as horas disponíveis, por vezes me pego sentindo culpado por estar em algum horário em doce far niente.
Segundo Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens, Uma Breve História da Humanidade” teríamos passado por alguns marcos tais como: o surgimento do humano moderno a 200 mil; a (r)evolução cognitiva a 70 mil e a (r)evolução agricola a 12 mil anos.
A revolução cognitiva seria segundo o autor, a transformação através da capacidade de realizar o pensamento abstrato que permite a comunicação através de conceitos vagos como amor, por exemplo, mas também possibilita o desenvolvimento do conhecimento.
A revolução agrícola, que transforma aquele ser humano de nômade para habitante.
Nesse ultimo florescem as sociedades a partir de aldeias, compartilhando e comungando costumes, crenças, línguas, e o que viriam a ser os conceitos de etnia, povo, nação, entre outros.
A obra é excelente, vale a pena ler, mas vou voltar rapidamente ao texto.
Antes da obtenção do conhecimento abstrato que possibilita a racionalidade, éramos apenas outras espécies de animais, com os mesmos riscos ambientais e imposição destes sobre a nossa sobrevivência.
Com a fixação através do aprendizado da agricultura e criação de animais, passamos a desenvolver várias formas de promover o bem estar, os cuidados e a possibilidade de termos vidas dignas (grifo possibilidade).
Só que a sociedade moderna, com todos os benefícios que reconhecidamente trás através de avanços médicos e tecnológicos, vem trazendo também problemas equivalentes aos encontrados antes da revolução cognitiva, onde aquele ser indefeso, seja a criança e o idoso, era tratado como uma desvantagem.
Se na antiguidade, defender-se de predadores tornava aquele que cuidava de seus pais e/ou filhos mais vulnerável, com necessidade de sacrifícios, a sociedade atual, também marca aqueles que tem que cuidar dos seus, como prejudicados.
Cuidar de um pai e mãe adoecidos, ou de um bebê, ainda totalmente dependente, reduz o tempo "produtivo" daquela pessoa.
O próprio desenvolvimento das cidades não prevê nada para estes. Tente levar seu pai idoso a uma consulta no centro de sua cidade, parando o carro e necessitando de auxilio para deslocamento. Tente não ficar com o coração na boca, ao tentar deixar seu filho de 10 anos ir até o mercado sem sua supervisão.
A infraestrutura das cidades, nossas carreiras, nossas vidas de um modo geral, são excludentes.
Por ser necessário, antevendo interpretações, explica-se que este texto não é contra as mulheres terem suas carreiras, não é contra quem não quer ter filhos, não é contra a construção das carreiras, nem mesmo quanto a evolução tecnológica. Não é ufanista nem utópico.
Mas se constata que ainda não pensamos na finitude seja pela morte, seja pelo tempo que passa e torna a criança adulto.
Se você não entendeu, não se preocupe.
Também não entendi ainda.
04/10/2022
Vou procurar um bordão de encerramento.
sexta-feira, 30 de setembro de 2022
AMOR E GUERRA
Não é plágio, prometo encerrar antes das mil páginas, ...digo linhas,... digo palavras.
Feito este esclarecimento, o sentimento é em relação a todos os conceitos que nos trazem as religiões, filosofias e a própria ciência, que é a dualidade.
O titulo poderia ser amor e ódio, pois guerra remete a um imaginário coletivo e entes ficcionais como estado, soberania, entre outros, enquanto ódio, tal como o amor, é constantemente indicado como ser parido no coração, no íntimo das pessoas.
Certo, trocamos o titulo para Amor e Ódio. Não vou corrigir no inicio, pois mudei de ideia agora e assim vou deixar.
Seria coincidência que se trata do assunto em período de eleição? Na verdade não.
Não pelas posições politicas, debates e posturas dos candidatos, mas sim por que também este período, remete a dualidade.
Existe uma necessidade humana de entender o universo a partir daquilo que ele já conhece, assim, sendo amplo os exemplos (no inicio deste texto) de reconhecimento do mundo como divido em céu e inferno, certo ou errado, positivo ou negativo, as relações humanas também são assim identificadas.
Como fiz no texto, quando mudei de idéia porque uma se mostrou mais adequada que a anterior, poderia amanhã (provavelmente vai acontecer), eu pensar em uma ideia ainda mais adequada.
Poderia deixar sem titulo, o que afrontaria todas as aulas de Lingua Portuguesa e Gramática que eu já tive o prazer de assistir, ou o mínimo do conceito de escrever que conheço.
Mas as relações sociais, são plúrimas, multifacetadas, emocionais e instáveis. E parece que está tudo bem.
O tempo é curto hoje (sim eu trabalho, os textos são um hobby).
Mas aqui está o fecho, amor e ódio não existem de forma distinta, entre estes existem infinitos pontos (física) sons (variações musicais), cores (espectro de luz), etc...
Amar e odiar, podem ser a mesma coisa, como amar e odiar de cada um, pode ser diferente.
Não foi meu melhor dia, mas acho que vai ter parte 2.
Sucesso
30.9.22
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
MUSICA
Música
Clave!
Gosto muito de música!
Não só de ouvir, gosto também de me arriscar em algumas notas ao violão, gosto da ler sobre a história, imaginar qual foi o momento que a produção de algum som provocou algum estímulo, ou que aquele ser pensante desejou que aquilo voltasse a acontecer.
A música traz poesia não só nos versos cantados sobre sua melodia, mas também na escrita musical.
Nos causa fascínio denominações e termos como clave de sol, sustenido (#, sim a hashtag), pauta e demais termos que permeiam a nossa vida, para além da musica. Quem nunca ouviu que era para ficar "pianinho" significando falar baixinho ou suave?
Esta atenção a poesia da terminologia musical, vai da estrutura base, vejamos por exemplo que o nome dado as notas musicais, vem de um hino a São João Batista, que teria servido a Guido D'Arezzo no Século XI, por volta de 1025, para nomear os sons da escala diatônica de Dó.[1]
- UT queant laxis
- REsonare fibris
- MIra gestorum
- FAmuli tuorum,
- SOLve polluti
- LAbii reatum,
- Sancte Iohannes
A primeira nota, "UT", foi substituida por Dó de Dominus, pois sua pronúncia não facilitava a vocalização, assim como Si, vem das iniciais de São João, em latim Sancte Iohannes e aí estão todas as notas Dó, ré, mi. fá, sol, lá, si....Dó (sim se não terminar na tônica dá uma angústia)
A tradução mais literal deste texto em latim, poderia ser: "Para que os servos possam, com suas vozes soltas, ressoar as maravilhas de vossos atos, limpa a culpa do lábio manchado, ó São João
Esta notação musical é utilizada de forma universal, sendo que a partitura de qualquer orquestra ao redor do planeta, terá este mesmo ponto em comum.
Você reunirá músicos de todas as origens e locais e os poderá reunir, sem que entre eles existam línguas comuns, que ainda assim compreenderão a partitura e poderão tocar juntos a obra escrita.
Independente da crença de cada um, existe algo de belo nessa codificação, que trata de "vozes soltas" limpeza dos lábios, enquanto se grafam as colcheias, seminimas ou semibreves.
Sim, a palavra clave, quer dizer literalmente chave, por isso usei na abertura do presente texto.
Finalizo assim, com Fine (nem precisa explicar).
Amanhã, escrevo de novo.
O tema? Vai depender do que a vida me trouxer a memória.
Pax!
29/9/22
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
FIM DE TARDE
Faz pouco era de manhã, tomei café, olhei para o celular e fui.
Mas é esse agora que me assusta, já tem sol no beiral da janela e logo o prédio azul esconde boa parte da sua luz, e mais um pouquinho só de tempo, o horizonte vira vermelho, rubro escuro e só as luzes dos postes aparecerão.
Fiz várias coisas, fui socialmente produtivo.
Mas não sei se produzi suficientemente para mim. Não falo de dinheiro. Esse, apesar de não ser muito, me permite o sustento com alguns pequenos confortos.
Penso em produzir motivos.
Sim, motivos, para que ao despertar amanhã não venha junto qualquer dúvida, só certezas.
Está certo, pode vir alguma dúvida também, afinal como decidir entre uma boa massa ou um bem temperado risoto?
Não se pode afirmar que estarei lá, a vida é mesmo uma pequena pluma ao vento, mas se lá estiver, quero fazer amanhã o motivo do dia seguinte, de modo a não saber mais distinguir causa e efeito.
Então....
Até lá!
terça-feira, 27 de setembro de 2022
Terça comum
Terça Comum
Hoje é uma terça comum.
Sei disso porque ontem foi uma segunda comum e, provavelmente, amanhã vai ser uma quarta comum.
Isso não é nada muito relevante nem mesmo empolgante, mas é um fato. Não temos todos os dias fatos excitantes e capazes de serem marcados de forma indelével em nosso cérebro.
As vezes o máximo de nossa aventura diária será decidir tomar um café sem açúcar (sim tomo sem açúcar, não me julguem) e decidir entre os carboidratos no restaurante na hora do almoço.
Se pensarmos em dimensões cósmicas,..., melhor não, caso contrário entraremos em looping de poeira de estrela, finitude humana, etc....
Por necessidade e para não sermos sepultados por nossos próprios pensamentos, nossas memórias vão se esvaindo e as "escolhas" de recuperação vão depender de quanto elas nos deixaram sentir na sua formação, evocando cheiros, gostos, texturas, cores quando provocaram alegrias, tristezas, surpresas e qualquer efeito. As palavras chaves são Sentimento (emoção) e sentidos (percepção).
Mas existe uma curiosidade que quem já acompanhou o decaimento mental de outrem, seja por demência, alzheimer ou traumas, certamente já observou, que é a recuperação de memórias cotidianas.
Mesmo que embaralhadas, lembranças de uma rua, um riacho ou se o pai já chegou em casa para o jantar, vão se reconstituindo e mostram quão relevante o comum é interessante.
O bom dia recebido na portaria e o comentário durante o cafezinho na lancheria (tão bom, o café lá é doce), são uma aventura sob o ponto de vista biológico e sensorial e vão vir a tona quando no futuro você estive em um diálogo casual com os seus.
Falando nisso, Bom dia! Qual a sua aventura?
27/9/22dia comum
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
Suspiro da cachorrinha
🐕🐕🐕
Domingo a tarde, sentados no sofá, aquela agradável preguiça, olhos perdidos entre algum vídeo de Youtube ou leitura avulsa, e a nossa pequena Shitzu Mendi (grafamos assim, não sei se foi a melhor escolha) suspirou.
Existem várias explicações para o suspiro, mas não me refiro aqui as cientificamente elaboradas e, portanto refutáveis, falo daquelas que vem da metafísica e que vinculam o suspiro com a alma.
Pois foi naquele momento, mesmo não sendo alguém que tenha alguma fé, que pensei na versão bíblica que diz que Deus soprou nas narinas do ser inanimado, tornando barro em humanidade, lhe introduzido a alma, sendo então o suspiro uma manifestação desta.
Aquela nossa pequena companheira, debruçada no sofá, no período entre pequenas traquinagens e cumprimento de suas necessidades fisiológicas estabeleceu para mim que, ou alma não existe, ou todos as possuímos, mesmo aquele "serzinho" tido como (ir)racional.
Suspirou pois algum pensamento de amor ou felicidade, ou quem sabe uma tristeza ou melancolia, trespassou em seus pensamentos, algum fragmento de memória, algum fato passado.
Não sei ao certo. Se não compreendo coisas como alma e amor, também desconheço sobre neurologia ou espasmos pulmonares.
Mas dentro as crenças possíveis, me apraz aquela que nos coloca em pé de igualdade com esse animalzinho que nos traz tanto conforto e afeto, em momentos que certamente, vão me provocar suspiros em breve.
(suspiro)
p.s. Não achei onomatopéia para suspiro.
26/9/22